Entidade manifesta pesar pela morte da juíza Mariana Ferreira, do TJRS
NOTA PÚBLICA
A ANAMATRA – ASSOCIAÇÃO NACIONAL DAS MAGISTRADAS E DOS MAGISTRADOS DA JUSTIÇA DO TRABALHO, entidade da sociedade civil que congrega mais de 3.500 magistradas e magistrados do Trabalho de todo o Brasil, vem a público manifestar profundo pesar pelo falecimento da Juíza Mariana Francisco Ferreira, do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, ocorrido nesta semana em circunstâncias especialmente dolorosas para familiares, amigas(os) e colegas.
A propósito da charge publicada pela Folha de S.Paulo na edição de 9 de maio de 2026, a entidade considera necessário registrar sua preocupação com a associação entre uma fatalidade humana e o debate público relacionado à remuneração da magistratura.
A ANAMATRA reafirma seu absoluto respeito à liberdade de imprensa e ao papel essencial exercido pelo jornalismo na crítica e na vigilância das instituições públicas, funções indispensáveis à preservação e ao fortalecimento do Estado Democrático de Direito.
Isso não impede, contudo, o reconhecimento de que determinadas manifestações públicas podem assumir contornos ofensivos e desumanizantes, especialmente quando o sofrimento humano é convertido em recurso de impacto ou escárnio.
A morte de uma jovem magistrada em decorrência de procedimento relacionado à reprodução feminina remete a temas profundamente contemporâneos e ainda pouco discutidos, como o adiamento da maternidade, a pressão por desempenho, a sobrecarga de trabalho e as dificuldades de conciliação entre vida pessoal e carreira, especialmente enfrentadas por mulheres em espaços de elevada exigência profissional.
Em tempos nos quais inúmeras mulheres adiam projetos pessoais e familiares para se manterem disponíveis às exigências da vida profissional e à ocupação de espaços de poder, causa preocupação que uma tragédia dessa natureza seja associada a discussões exclusivamente remuneratórias, em desconsideração às dimensões humanas envolvidas.
A ANAMATRA expressa solidariedade à família, amigas(os) e colegas da Juíza Mariana Francisco Ferreira e a todas as mulheres magistradas que, diariamente, buscam encontrar pontos de equilíbrio entre as exigências da carreira e a construção de sua vida pessoal.
Reafirma, por fim, seu compromisso com a defesa do Estado Democrático de Direito, da dignidade humana e de um debate público responsável, ético e compatível com a gravidade da perda vivenciada.
Brasília, DF, 09 de maio de 2026.
VALTER SOUZA PUGLIESI
Presidente da ANAMATRA

